terça-feira, 30 de novembro de 2010

1970

   La estava um corpo repousado em cima de uma cama nova que aparentava ser macia, comecei a examinar aquele individuo de aparência gasta com o tempo, andei por volta da cama, observei a linda vista que tinha de sua janela, olhei para os quadros e voltei-me a olhar para ele e o quanto dormia em um sono profundo, examinei cada detalhe que escondia em sua mente e aparecia em sua expressão enquanto sonhava, observava-se que a agonia de sua vida sempre foi muito penosa, cansei de olhar a sua expressão e voltei-me ao medonho aspecto de seu quarto, la havia um quadro de bilhetes que me atentou, já me disseram que a curiosidade mata o gato, mas nesse caso quem pareceu matar o gato foi ele. Lá estava claramente escrito na carta escondida entre outros bilhetes pregados no quadro.

"Estimado Jimmy"
Percebo que sua visita em minha casa não lhe trouxe boas lembranças, alias, trouxe as piores possíveis, mas bem, não estou gastando tinta e papel atoa, vou direto ao assunto. A função que lhe dei para executar a 2 anos atrás não foi executada, vi ela andando por ai com um ar jovial e aliviado por ter escapado de tamanha catástrofe, mesmo tendo quase acontecido a 2 anos atrás, espero que ela não fique andando por muito tempo nas ruas de Londres. Me entende? Espero que sim, lhe dou  mais um mês pro bolar o crime perfeito. Só quero lembrar que ela esta com a faca e o queijo nas mãos, não nos entregou ainda por uma bondade que me espanta e da náuseas, mas sei que ira acabar, mais cedo ou mais tarde. Haja rapidamente, apenas isso.

Cordialmente 
Jude stevens
   
   Num instante queria chorar por saber que as magoas do tempo abalavam demais meu avô por ainda guardar esta carta, mas ri, ri de como o mundo deu voltas, de como a moça ameaçada de morte agora é minha vó. E Jude Stevens, meu vô conta historias sobre ela e sobre como sua mente era perturbada pelos insanos crimes que cometera em 1970.

domingo, 28 de novembro de 2010

Caótico

   Enfim... chegamos aqui, terra de ninguém, onde se corre o bicho pega, se fica o bicho come. Não há entrada alem da vida muito menos saída alem da morte!
   A terra gira e não podemos parar, e quando paramos... não queira saber. O tempo passa e se não cuidar ele some diante de seus olhos, as oportunidades surgem e quando menos se percebe, fogem. 
   Não espere as coisas acontecerem, em suas mãos estão os instrumentos de trabalho e em seus olhos vejo a força, agora despiste o bicho, não tente correr e muito menos pare e espere ele lhe encontrar...

sábado, 27 de novembro de 2010

Efeito colateral...

   Anda, sente-se neste sofá, pegue uma xícara de café e vamos debater a nossa vida cheia de altos de baixos. 
   Nos altos era tudo lindo demais, tão lindo que me angustiava e me levava a um tédio profundo. Quando me olhava no espelho, la estava eu no fundo do poço... quando surges tu. Minha Heroína.
   Geralmente quando lhe chamo de Heroína me lembro do efeito da droga, engraçado, não? Nos primeiros dias em que ficávamos juntos tu causavas me o mesmo efeito, e quando nos separávamos... queria lhe ter de volta, Heroína.
   Tu fostes a droga que mais me causou mal, por que faz alguns anos que não lhe vejo, faz alguns anos que não consigo olhar para o pôr do sol e esticar os lábios e mostrar os dentes diante do céu laranjado e radiante...
   E então... não lhe chamo mais de Heroína, pois foi minha derrota, agora simplesmente te chamo de Helena, teu verdadeiro nome que não me causa mais nem um efeito.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Robo

   Estamos programados a mesma rotina sufocante do dia, somos programados para não ter opinião, para não ir contra os padrões estabelecidos pela sociedade, somos conduzidos pela mídia com um cabresto dentro de nossa boca e preso em nossa cabeça nos impedindo de falar, pensar e agir!
    E agora? Errada sou eu que me libertei da "escravidão", pois é... me chamam de revoltada, louca e tudo mais, mas pelo menos sou livre, tenho opinião própria e não fico na frente da TV ansiosa para "A fazenda" começar. 
   Enfim... me excluam dessa vida sem opinião, alias isso não é vida!
   Vocês são programados para não viver e sim obedecer!

sábado, 20 de novembro de 2010

Pecado!

   O veneno que sai da minha boca cai no chão e escorre no piso que me sustenta, em segundos estou caindo, em segundos já estou em outro mundo me afogando em mentiras.
   Aonde estou? Apenas consigo ouvir a minha respiração, alias, nem sabia como ainda conseguia respirar. 
   Todo essa veneno corroeu o chão que me sustentava, todo esse veneno afastou as alegrias, todo esse veneno acabou com a minha vida... e todo o veneno que soltei agora é levado pelo vento e vem parar aqui, nesse maldito castigo.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Liberdade de expressão

   Conviver com algo errado, mostrar a sua revolta e mesmo assim ficar calado.
   Por terem calado a minha boca meus olhos se estralam, como se eles pode-sem mostrar ao mundo o caminho certo a percorrer.
   O mundo está tão perdido assim? Só eu vejo o certo? Acho que deve haver pessoas inteligentes em algum canto que possam gritar em meu lugar "Vocês estão indo caminho ao caos!"

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

ALERTA: coração vazio provoca alucinações.

   Coloquei a xicara de café em cima da mesa, olhei para a fresta da janela que estava aberta, então vi um homem solitário olhando para as suas mãos, levei a xícara a boca por um segundo e ele não estava mais lá, fui até a porta, abri, olhei de um canto para o outro, e nem um sinal de vida, voltei a mesa, levei a xícara na pia, e novamente voltei a olhar para a janela, e la estava uma pequena menina olhando para as suas mãos e chorando.
   Eu realmente não estava entendendo, o que era aquilo? Por que só conseguia velos da janela em que as cortinas eram escuras, e a tranca um pouco enferrujada, não contive a curiosidade abri a porta bruscamente e fui em direção a pequena menina de cabelos longos, encaracolados e preto como o asfalto em que estava sentada, e em um piscar de olhos sumiu na minha frente, virou fumaça... 
   Semanas se passaram e todos os dias eu sentava nessa mesa redonda na frente da janela e esperava que aparece-se o homem e a pequena menina, ainda lembro de suas faces sofridas e angustiadas, mas ainda não entendo por que olhavam paras as mãos, elas não pareciam ter nada, absolutamente nada.
   Olhei novamente para a fresta da janela e la estava eu, olhando para as minhas mãos vazias, assim como o meu coração.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Procuro o que em nada existe...

   Sou o seu auge de criatividade, a menina mais perfeita que conseguiu criar, para nas noites frias imaginar, e não se sentir sozinho. Sou eu que faço seu coração bater rápido sem ao menos você me sentir, sou eu...
   Sei que o seu coração é cheio de ilusões, sei que no fundo acredita que eu existo, mas existindo ou não, quero que parta comigo rumo ao desconhecido, quero que me procure, e me encontre...
   Ligue o carro e me leve para casa, antes que a sua imaginação acabe, antes que me perca em suas memórias, antes que perca algo que nunca existiu.