domingo, 27 de novembro de 2011

Res(pirando)

Parte II


Posso parecer fascinante, mas eu sou um problema. Um grande problema completamente perdido. As pessoas não entendem pelo que passo, ou o que desencadeou tanta revolta e esse olhar sangrento.
Andando por aquele corredor branco e vendo as pessoas que moravam la, foi meio que acordar de um pesadelo, acho que comecei a ver o lado bom, por mais impossível que ele pareça existir. La eu estava livre de tudo aquilo, eu não precisava mais mentir, fingir e armar pra cima das pessoas. No mundo la fora eu sou chamada de falsa, aqui, eu sou apenas uma paciente com sérios problemas psicológicos.
Alguns dizem que eu sou uma sociopata outros falam que é apenas uma fase. Vamos concordar que se a vida fosse feita de fases seria muito mais fácil, mas não, tudo o que passei vai continuar comigo e não vai ficar no level 1. E é muita bagagem pra carregar, tenho que pagar uma taxa extra pro futuro. As pessoas dizem que ele é inserto, mas não pra mim, sei muito bem o que me aguarda depois desse paraíso que as pessoas evitam chamar de hospício, e tenho certeza que não vai ter nada a ver com cheiro de grama molhada e gosto de maçã verde.
12, 13, 14... Fui passando pelos quartos até chegar ao meu, 17. Descobri que tinha uma colega de quarto, mas ainda não sabia quem era. Ela havia ido passar o fim de semana com a família, a enfermeira intrometida Ane falou que pacientes com bom comportamento são liberados um final de semana por mês. Que bom né? Não vejo à hora de passar um fim de semana de novo naquela cidade cheia de pessoas mesquinhas que fingem que se importam, parece até que elas não sabem que eu sou capaz de sentir o cheiro da mentira.
Não havia nada demais naquele quarto, tinha uma mesa, duas camas, um guarda roupa e um banheiro. A cama ao lado da minha estava completamente desarrumada e cheia de roupas, livros e maquiagens em cima. Algumas roupas me pareciam muito familiares. Coloquei a mala em cima da cama e guardei as minhas roupas na parte livre do guarda roupa cheio de repartições, por mim isso é frescura.
Sentei na cama, levantei, sentei, levantei. Não gostei. Vou demorar a me acostumar com ela, já a vista da janela do meu quarto que dava direto ao jardim cheio de bancos brancos, essa eu já estava familiarizada.
Fui dar uma volta e percebi que a maioria das pessoas internadas aqui não tem noção do que esta se passando com elas, outras até acham que não existe um mundo la fora, as vezes eu queria ter metade dessa ingenuidade.
Voltei pro quarto, deitei na cama, fechei os olhos e comecei a pensar na minha situação. Às vezes eu tenho certeza do que estou fazendo aqui, já outras, eu não faço ideia. Eu me pergunto quais são os meus defeitos e depois me pergunto novamente. São defeitos mesmo?

sábado, 22 de outubro de 2011

Res(pirando)

Parte I  
O portão da clinica psiquiátrica era coberto de folhas e com flores rosa que ressaltavam entre o verde e meus olhos castanhos. Eu procurava enxergar la dentro, mas a única coisa que via era uma parte do teto laranja, parecia ter acabado de ser pintado. 
   Eu não sabia o porquê de estar ali, e também de estar nessa situação. Meu pai estava com um braço atrás do meu ombro e minha irmã dentro do carro chorando. Eu tinha medo de olhar pra traz e de ver aquelas lagrimas caindo, o som da sua angustia já me torturava o suficiente. 
   Ouvi um sinal de vida, vindo atrás do portão. Era a uma voz mansa e confortante. O portão foi abrindo aos poucos e seus cabelos castanhos claros foram aparecendo, ela estava vestida de azul e com um crachá com seu nome que não pude ler, pois ela já veio me abraçar e eu realmente não gostei disso. A falsidade saia de dentro dela e me pinicava completamente, eu sabia que ela não se importava se eu estava bem ou não, pra que perguntar? 
   Fui entrando e conhecendo superficialmente o espaço que me cercava. Era tão lindo e falso. Parecia ser feito estrategicamente para me deixar mais perturbada, todas as flores separadas em fileiras e bancos extremamente brancos, pessoas de uma olhar confuso e enfermeiras cobertas de descaso. Resolvi que já era demais pra mim e coloquei meus fones de ouvido e aumentei até o ultimo volume. Andei e conheci o jardim por conta própria. Bem, era o que eu achava. Uma mulher de branco me observava de canto ignorando a sua paciente ao lado clamando sua atenção, olhei a fixamente, e virei o rosto, continuei a minha caminhada na qual havia certeza que não daria a lugar algum.
   A enfermeira foi se aproximando e resolveu que ia falar comigo, mas eu não tinha resolvido se ia respondê-la, alias. Evito contato com as pessoas, tenho medo do que posso falar ou fazer com elas.
- Bom dia, meu nome é Ane e o seu? – cínica.
- Charlote.
   Eu realmente esperava que ela tivesse entendido o timbre da minha voz e se afastado, mas ela insistia em acabar ouvindo algo desagradável aos seus ouvidos.
- Então Charlote o que faz aqui?
- Vim Passar um fim de semana descontraído. Sabe nada melhor que passar sábado e domingo inteiro com a mais pura diversão no meio de loucos.
    Ela fez uma cara de surpresa e depois deu um sorriso de canto, mexeu nos cabelos pretos, estralou os dedos. Todos esses movimentos eram pra ganhar tempo e arranjar uma resposta.
- Essas pessoas não são loucas. E se você esta aqui é porque esta com problemas que nem os outros.
- Bom, se elas não são loucas não sei o que fazem aqui.
   Irritei-me profundamente, e sai antes que acabasse pulando em cima dela e arrancando aqueles olhos verdes perfeitos e impuros. Eu via no seu jeito de olhar as outras pacientes, eu via o que no fundo o que ela queria fazer com elas, porque era a mesma coisa que eu queria fazer com ela.
   Fui para dentro daquela enorme clinica e meu pai estava na porta me esperando, a mulher de azul me acompanhou até uma sala linda com um toque vintage e me pediu para esperar a Dra. Tyler. Tenho a péssima mania de tentar decifrar o que o espaço quer dizer, acho essa coisa meio antiga dos moveis muito legal, mas isso me remete a uma pessoa observadora e sinceramente, pessoas observando-me me deixa descontrolada, completamente perturbada.
Ela abriu a porta e foi entrando como se eu não existisse, só depois que sentou pareceu notar a minha presença.
- Bom dia, Charlote né? – disse ela.
- Sim.
- Então, o que faz aqui?
Eu realmente tenho a resposta na ponta da língua, mas o medo de falar parece que isso vai se tornar verdade.
- Eu não sei, meu pai me trouxe aqui na esperança que você descubra.
- Esta bem, hoje eu não tenho muito tempo para longas conversas Charlote – e espero que nunca tenha- só queria lhe conhecer, a Ane vai lhe mostrar seu quarto. Você vai ficar aqui no mínimo uma semana, mas não se preocupe é um ótimo lugar para relaxar.
Algo me subiu na garganta e eu não pude conter.
- EU NÃO QUERO RELAXAR! Eu só quero sair daqui, eu to me sentido vigiada e com uma vontade de atacar todos a minha volta, vai atrás do meu pai e pede pra ele me tirar daqui! Eu não sou como essas pessoas, eu não sou louca! 

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Menos brilho, mais contraste

   Escrevo palavras imperfeitas tentando deixar minhas dores no meio delas, mas não da. Já tentei lava-las em um balde com água e sabão para transforma-las em experiência de vida, mas elas insistem em ficar gravadas que nem tatuagem, pontos da mais profunda escuridão.
   Tantas noites, tantas dores. Eu cultivo a dor em mim. Eu olho o roxo do céu e aprecio meus momentos de alegria, eu aprecio a capacidade da minha mente de imaginar situações mais claras, rosas, de uma cor mais linda que a do céu, mas minhas palavras são tão pretas, imperfeitas. Minhas cores não tem brilho, só contraste entre os traços das minhas dores.
   Estou sucumbindo, estou no cinza, quase la, quase... 

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

    O sol foi entrando calmo pela janela, cada vez com mais brilho até chegar ao meu rosto em uma manhã de domingo. Olhei pro relógio e era muito cedo, olhei pro outro lado da cama e estava vazio, como a minha alma e meu coração. Ainda não me conformei com a sua ausência, e parece que nunca vou me conformar.
   Ligações, mensagens, recados em todas as redes sociais, tudo e qualquer lugar que pudesse ter um vestígio de vida seu, eu procurava.
   O efeito do álcool já não é mais o mesmo, depois de tantas noites que passei embriagada pelo meu silêncio e o som do vento entrando pela janela do meu apartamento que ficava no ultimo andar e fazia com que a cada oportunidade de pular de la de cima fosse maior e mais tentadora.
    Sei que não posso simplesmente lavar as minhas mãos ou passar uma borracha em todo mal que lhe fiz. Eu sei quem eu sou, e também sei que não fui feita pra conviver por muito tempo com alguém, eu sou enjoativa, vingativa, chantagista, manipuladora e cheia de manias idiotas e irritantes, também sei que não fui capaz de deixar tudo isso de lado pra falar um "Eu te amo", infelizmente essas palavras só fazem sentido agora. 
   Minhas mãos estão sujas com o nosso passado, é uma mancha que esta tomando todo o meu corpo, esta tudo ficando escuro. Pra dizer a verdade nem sei mais se isso é efeito do álcool ou das minhas escolhas.

sábado, 20 de agosto de 2011

Yeah!

   É, finalmente estou limpo, eu acho. Antes fiz um tremendo estrago na minha vida, mas eu limpei tudo e deixei as sacolas de lixo la fora para quando o caminhão de lixo passar, recolher, todo o meu passado. Quando eu limpava tudo era como enfrentar de novo meus tormentos, em 5 rounds. 
   1º Round: conhecer uma pessoa fantástica e cometer o erro de se apaixonar perdidamente. 
   2º Round: dar continuidade ao que provavelmente vai acabar em morte da sua alto estima e sua felicidade. 
   3º Round: perceber que a garota não passou de uma droga alucinógena, e que ela não é nada daquilo que te contou. 
   4º Round: desilusão, baby.
   5º Round: limpar a sujeira!
   A claro, como posso me esquecer. Nem tudo é uma batalha, nem tudo se vence na força bruta, tinha até me esquecido dos meus antigos modos de insultar, magoar, machucar, despedaçar, massacrar... assim vai, com as palavras. Porque um soco não vai doer tanto quanto as palavras que atingem diretamente o seu coração mais rápido que a bala de uma arma. Cuide-se, ou melhor, tome cuidado, as palavras de hoje podem definir o amanhã de alguém. Jamais diga "Eu te amo!" sem ter certeza. 
   Agora tenho que seguir em frente, e posso dizer que olhar para traz não me faz querer voltar, só me incentiva mais e mais a continuar andando para frente.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Miragens

   Minha vida esta como um deserto escaldante, cheia de areia, cheia de coisas inúteis que deveria ter jogado fora a muito tempo. 
   O fato de estar sozinha, me enlouquece aos poucos, me angustia. Saber que mesmo rodeada de pessoas nem uma delas realmente liga para meus sentimentos e passam por cima deles com fosse um tapete escrito "limpe os pés aqui!", é...
   Controlo a minha sede de vida, de amor, carinho, felicidade. Vejo miragens, mas não vejo fatos, atos. Virei brinquedo dos meus sentimentos, é muitos para um só corpo, e eles lutam aqui dentro, lutam para matar, me matar. 
   Espero anoitecer pra ir dormir, na cama fria ao lado da janela, que nunca se abre. A lua ressalta entre as estrelas e a escuridão do céu, ela parecia me olhar e reprovar a minha falta de coragem. Ela parecia querer me ajudar, sabendo que nada poderia fazer.
   Entrei em um deserto e fiquei perdida, disseram que eu só preciso de mim mesma para ser feliz. Diga-me se agora a areia não parece muito mais viva do que eu!

sábado, 16 de julho de 2011

Apenas amei...

   Tudo o que um dia eu senti por você, esta saindo no meu suor, pelos meus poros. O maior erro da minha vida não foi te amar, mas foi deixar você se transformar na minha razão, sem limites. 
  Estou sentada no chão pegando destroços do eu que havia me tornado, incompleta, incompreendida, quebrada sem mais nem uma utilidade. Eram pedaços de vidros gelados com pontas que machucavam os meus dedos. 
   Senti na pele os efeitos colaterais de amar você que não existe mais na minha realidade, mas algo no meu peito sempre vai ficar, não um aperto, nem angustia, muito menos saudade. O que vai ficar é um lugar para guardar suas lembranças boas, e a esperança de poder vive-las novamente com um outro alguém que eu não cometa o erro de amar intensamente.    

domingo, 3 de julho de 2011

Olhos acesos

   Ao som de uma música psicodélica todos dançam a minha volta. Eu estou parada olhando para cima vendo as luzes coloridas passarem por mim, tudo roda e uma energia me toma em seus braços que me jogam de um lado para o outro.
  As pessoas se tornam monstros, de repente só ouço o ritmo da música, ela penetra, enlouquece. Tudo é tão confuso e bom, uma sensação viciosa. Uma vontade de rir incontrolável mesmo sabendo que estou rodeada de monstros prontos para me atacar.
   Eu fujo, me sento, deito. Deixo a musica embalar o meu sono. Deixe rolar... rolar... rolar... é bom, é ótimo, é confuso. Melhor ficar atenta pois uma voz me diz "Alice ataque!".
   O fascínio termina, mas mantenho os olhos acesos. Volto para a casa e me entrego a cama, e a realidade que começou, mas vai acabar assim que escurecer novamente.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Tornando-nos quem nós somos

   Meu coração bate fora do compasso, esta em um ritmo mais rápido que o seu, nosso amor esta entre a insanidade e a insegurança. 
   Talvez sejamos perturbados, loucos ou... mais um pequeno detrito do mundo, ignorados pelo universo. Entre nós não há o vazio, entre nós não há nada. Nos nossos corações há um amor revoltado, queimando de paixão, que nunca vai virar cinzas.
   Bom... pelo menos era nisso que eu acreditava até ver você indo embora. Aqueles instantes em que jogava a roupa na mala sem medo de amarrotar, as palavras que estavam em minha boca fugiram covardemente, me deixaram sozinha me fazendo voltar a ser incompleta. 
   Perdi de vista seu cabelo preto, o brilho do seu cinto de taxas, não pude mais ouvir o som dos seus passos, nem da sua voz rouca. Minhas memórias foram para o  lixo ao qual ainda não tirei de casa, deixa ele se deteriorar la, não vou tocar, não vou olhar, ignorar. 
   Meus olhos pintados de preto, minha boca com um batom vermelho, uma calça rasgada no joelho e um all star sujo, isso não mostra nem metade da minha dor e da minha revolta. Agora eu picho as paredes sozinha, eu canto sozinha, choro sozinha. 
   Pra você tudo isso era terra do faz de conta, cansou de brincar e agora voltou pro conforto da casinha dos seus pais. 
   Agora há só eu entre a insanidade e a insegurança. Estou bem, estou bem, estou bem!

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Quando eu provei do álcool...

   As vezes me pergunto o por que da minha existência. Definida pela vida. 
   Por que a minha existência é tão viciosa e tão viciada em coisas supérfluas, em valores fúteis, em amores de 24 horas. Sou egoísta, chata, perturbada, tão alucinada. Tenho vários eus dentro de um só que age como uma cadeia para os outros. Não, não pode ser, estou perdida em um emaranhado de anseios e duvidas, de desgostos passados, e de sonhos jamais realizados. Alias, ainda me surpreendo que meus sonhos ainda não estejam viciados com essa imensa futilidade da minha existência, da pessoa que me defini, com o tempo, com a vida, com as consequências, com os atos e apegos. 
   Estou perdendo o raciocínio, a linha da razão a qual fiz questão de dar um nó, que só se desfaz com mãos finas e ágeis, as quais essas qualidades as minhas mãos não possuem.
   É... a mais pura realidade é que sou formada e definida por coisas impuras.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Drive you to suicide

   Tire a minha foto da parede se você não for olhar para ela como olhava antes. Acho que você realmente não aguentou ser alguém tão importante na minha vida, então deixou ela, para vê-la dirigir contra a parede.
   Você brincou com o meu amor, jogou no lixo. Me fez de bobo. Agora há em mim um precipício, tento te jogar la, mas não consigo. Sinto que vou desmanchar novamente em seus olhos.
   Então percebo que tudo ainda esta tão longe, e você anda mais confusa do que eu, assim que me deparo com você procurando outras pessoas dentro de si. Mudando a mascara para atrair a próxima vitima, e não percebe que a vitima não sou eu, é você. 
   Sofremos da mesma doença da sombra do passado que ainda esta em nossos corações, fazendo o que passou mudar o presente. Procuro palavras pra te fazer voltar, para sermos um o remédio do outro, mas vejo que você quer morrer na penumbra.
   Apenas lhe pergunto. Sabe o que é ouvir o coração bater mas não sentir a vida fluir em suas veias?
   Sinto muito... 

domingo, 15 de maio de 2011

Keep Calm

   Não saber lidar com essa tal liberdade que me foi concedida. Para mim, liberdade é um passo para perdição. Acho que estou muito mais sobre meu controle quando me ditam regras nem tão radicais. Alias o mundo é feito de regras, impedimentos e desimpedimentos, como na teoria do filosofo Nietzsche, "Eu só levantei o braço para coçar a cabeça agora por que o teto não caio em cima de mim, por que Deus permitiu que eu tivesse um braço..." Mas o caso não é esse, o verdadeiro motivo de ter tanto medo da liberdade não tão livre assim é o de encontrar alguém que seja tão livre quanto eu a ponto de por regras aos outros, a ponto de pegar o meu coração para si, e fazer dele o que bem entender, e não devolver até que eu morra na mais doce loucura.
   Sou extremamente sensível a vários vícios, sou frágil, desorganizada e muito indecisa, a ponto de ficar meia hora escolhendo 1 peça entre 2 exatamente iguais. Isso atrapalha a minha vida, mais do que aquela plaquinha de proibido fumar que vejo em todos os lugares que vou. Acho melhor parar com isso, parar de mesquices que não levam a nada, alias, levam sim, levam a completa destruição de uma vida. Mas teve vezes que o fato de pensar mais de mil vezes antes de falar ou fazer alguma coisa me salvou de tremendas confusões e erros, acho que no fim essa deve ser mais uma regra que não me deixa seguir a brilhante luz traiçoeira da liberdade.
   Acho que tudo não passa de uma falsa inspiração, de um falso olhar, de um falso gesto, de um falso vicio. Acho... não, tenho certeza, um homem livre de cabelos pretos e pele branca, com varias tatuagens cobrindo o braço esquerdo, olhos castanhos, atlético, sem sorriso de canto, sentado na mesa ao canto do bar acaba de roubar meu coração com um sorriso completo, olhei para os outros lados onde só via liberdades completamente cheias de cerveja; é, era pra mim que ele olhava. Agora eu sei que é bom morrer dessa doce loucura chamada amor, e que toda essa minha confusão era por falta dela, ou melhor, dele. 

domingo, 8 de maio de 2011

Prelúdio

   O café derramado sobre a mesa, sujando o chão. O tic tac do relógio, e a navalha fina do tempo passando pelo meu rosto, deixando marcas. O vai e vem do vento, mudando a temperatura.
   E eu? Eu... simplesmente ia brincando com a vida e fazendo das pessoas as peças do meu tabuleiro de xadrez, onde o jogo era real e impiedoso. 
   Ultimamente ando sob dias chuvosos, onde os meus olhos só miram a escuridão. Dou passos firmes mas algo dentro de mim diz que vou tropeçar mesmo sabendo desviar de obstáculos, meus pés não doem, assim como a minha consciência.
   Gravei em meu peito a sua voz, pois é unica coisa que eu ainda tenho guardada em mim que me remete a algo bom, e eu escuto ela quando sinto o meu coração parar de bater por instantes, ela me faz retomar a vida, era realmente uma noite linda quando você partiu.
   Era mais um dia, quando resolvi que ia acordar, iria dar mais uma chance aquela manhã. Fui para o banheiro e passei um corretivo nas minhas olheiras que mais pareciam dois buracos negros. Sei que no fim, não havia o por que daquele jogo, não havia o por que de usar as pessoas para tentar encontrar você, e no final perceber que quando você me disse adeus te ter de novo não ia mais me satisfazer, você foi um vício.
    As vezes eu me pergunto a onde eu quero chegar... até o fim da estrada, onde as lembranças se transformam em memórias vagas, onde as minhas mentiras se transformem em verdade, onde eu encontre um rio de palavras que me faltaram.
   Parei, sentei entre a neblina onde a fumaça do meu cigarro ia se escondendo, olhei para o meu all star sujo de barro, sujo de vida. 

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Open fire.

   Não morra Ana, não desista do amanhã, por favor. Acenda o fogo da sua alma, é a unica maneira de enxergar o brilho dos seus olhos, dos meus olhos. Com esse mesmo fogo queime o que não te deixa lutar, queime suas barreiras, queime suas limitações. 
   Você não enxerga um mundo de formas, mas agora você vê um mundo de som e sentimentos. Obsessão por texturas. Queria lhe dar meus olhos, mas você é uma droga, entraria em crise de abstinência se ficasse um dia sem ver seus cabelos tentando fugir com o vento.
   Pra mim você nunca enxergou tanto como agora, eu te ajudo a aprender a viver de novo. Assim que você sair desse hospital eu te ajudo, eu vou ser o seu apoio e você vai ser o meu. 
   Ana não desista de hoje, não desista do amanhã mesmo ele sendo tão incerto.    

domingo, 24 de abril de 2011

   Me vejo subindo um poço, olhando pra traz e tirando palavras dele, encontro as vezes rosas tão vermelhas quanto a sangue que ainda corre por minhas veias. Tão submissa e frágil, mas tão forte e intolerante, as vezes só preciso de um abraço pro doce voltar a minha boca, as vezes só preciso de um tropeço pro veneno da minha boca jorrar no chão e nas pessoas. Concordo quando dizem que sou fria, discordo também, tem dias que ninguém se sente mais repleto de sentimentos quanto eu, pelo simples retornar de uma lembrança quente e que volta pálida e gélida.
   Obcecada, desorganizada, abstrata, falsificada, incompreendida, incontida...  cansei de ser nada aos olhos dos outros, cansei de ser tudo aos olhos sem pensamentos do espelho. As vezes me sinto estranha por me carregar sozinha, por me aturar, por não poder fazer nada pra calar a minha boca que esta me enchendo o saco desde que descobri que podia me expressar por inúmeras maneiras. Confesso que fiquei aliviada. Recolhi a rosa do meio das pedras, tão solitária quanto eu, coloquei entre os dentes e retomei a escalada, por favor, que quando eu chegue no topo a lua me receba de braços abertos, pois já cansei de olhar o sol e vê-lo tão distante rindo do meu fracasso.
   Preciso de um café agora, ou apenas de um sorriso verdadeiro.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Programados!

   E sem destino eu sou, e com o destino eu vou. Você realmente não percebe que o mundo não é mais nosso, e sim de nossas ambições? 
   O que move seus pés? O que faz você mexer a boca para falar? Do que você se arrepende? Do que você se orgulha? O que você espera? O que você quer de volta? O que você quer esquecer? O que você quer lembrar? O que você pensa quando acorda? O que não deixa você pensar quando vai dormir? O que você realmente ama? O que você odeia? O que te faz julgar? O que te faz se recuar? O  que te faz feliz? 
   O que te faz viver?
   Então você cai na realidade e percebe que esta perdido, no vazio de falsas idéias programadas.

domingo, 17 de abril de 2011

O ressaltar da lua e o desaparecer do sol

   Dois apaixonados pelo vazio, pelas palavras, e as loucuras que eles escreviam, ao final de cada por do sol, em um sábado como outro qualquer.
   Loucos por aventuras, obcecados por lindas historias de amor, ambos com corações partidos e olhares tão distantes, mas tão afiados e perigosos quanto uma faca.
   Eles podem ser a fantasia de qualquer pessoa, podem criar, desfazer, matar e reviver. Com um lápis de ponta afiada, com idéias contrarias que juntas fazem todo o sentido, assim como preto e branco,  amor e ódio.
   Após amanhecer novamente eles voltavam para a sua casa. 
   Ele vivia em sua sala, sentado no seu sofá empoeirado, ao som de Frédéric Chopin. Levava uma rotina exaustiva, chata. Mas o que o fazia seguir em frente era o seu sonho de se tornar um grande escritor. 
   O coitado foi enfeitiçado, e seu coração foi levado por uma moça ruiva de olhos com um verde vibrante. Caiu na solidão ao ela lhe deixar e então seus textos foram todos dedicados a sua tristeza. 
   Então ele morreu com a mais temida febre do amor e a deixou só perdida entre palavras que não conseguia passar para o papel, ela se condenou, ela chorou ao lembrar de seus sussurros depois do ressaltar da lua e o desaparecer do sol. Indignada com a moça de cabelos ruivos na qual não sabia nem se quer o nome pois se negou por puro ciúmes, jurou vingança, e a cumpriu, derramou sangue.
   Depois disso escreveu um romance, onde a personagem principal era ela, declarava-se ao sol pois não queria escrever o nome dele, não queria crava-lo em seu peito, queria esquecer.
   O silêncio é um fogo calmo, que a queimou.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

15:15

   Te ver jogar sentimentos privada a dentro, te ver se sentir bem ao se matar aos poucos... Acho que para você agora é muito mais importante a aparência do que a vida. Alias, como você mesmo me disse "se for pra morrer, eu morro bonito e magro dentro de um terno caríssimo". 
   Te ver sem camisa era como ver um lençol por cima de um cabide. Por um instante quis chorar por você, mas engoli meu choro, coisa que nem isso você faz mais. Estou com muito medo por você, muito mesmo...
   Entrei em um corredor, fui dando passo por passo, ecoando e voltando, o brilho do meu oxford agora ja não existia mais, assim como os dos meus olhos. 
   Quarto 301.. 302... 303... 304 era esse que a moça da recepção havia falado, toquei levemente a maçaneta, tudo me passou pela cabeça. Não aguentei, voltei alguns passos, sentei no chão, me desfiz em lágrimas, me enchi de medo, entrou em mim o desespero. O que eu iria encontrar por traz daquela porta? Talvez nada. Nada mesmo.
   Vi alguém se aproximando, era a enfermeira, ela me olhou e disse:
   - Esta tudo bem senhorita? - com uma voz suave, e encantadora. 
   - Não, não estou nada bem, preciso de forças para o que me aguarda, mas não tenho. A falta de coragem agora mais parece um câncer que se espalhou por todo o meu corpo. 
   - Levante-se - disse a enfermeira - em que quarto esta a pessoa que quer ver?
   - 304 - falei baixo, quase sussurrando.
   - Vou ir nesse quarto mesmo, quer companhia até la?  
   - Não quero, preciso.
   Passei a mão no rosto para secar as lágrimas, ajeitei a bolsa no ombro, coloquei a mão no bolso. Mesmo sem coragem segui a enfermeira. Ela tocou na maçaneta e a abriu, anunciou. 
   - Há visita para você Brian. 
   Olhei para o meu melhor amigo deitado em uma cama de hospital, pálido, magro, com um olhar triste e sombrio. Peguei a sua mão, olhei para o fundo de seus olhos, então ele disse. 
   - Seu olhar já me diz tudo... se eu soubesse que essa doença iria afetar mais você do que a mim mesmo teria voltado atrás. Eu... eu não pude me conter, eu perdi o controle, era tentador, a busca pela beleza que já tinha e agora não tenho mais. Você me perdoa?
   - Inconstante como a lua, você sempre foi assim. Nunca demonstrou nem um afeto, mas eu sentia... Você sabe quanto tempo deixei o silêncio tomar o meu coração? Não... ver você se destruir, me destruiu. Como poderei não te perdoar, se quando amamos não há dor alguma que nos faça ser cruel.
   Ele me deu um sorriso e disse quase sem forças.
   - Estou bonito? 
   - Não mais...  
   Algo apitou. Hora da morte 15:15. 

domingo, 27 de março de 2011

Insista, desista.

   Entre luzes desorientadas, entre palavras soltas que se perderam e cairam ao chão. Minha mente vai andando para um lado e meu corpo para o outro.
   Caos, completo caos. Felicidade misturada ao ódio, ódio a duvida, duvida a falta de coragem. Me perdi. As vezes acho que não estou aqui, as vezes acho que esse mundo não é o meu. Perturbada.
   Correndo atrás dessas luzes desorientadas, tentando dar um rumo a elas, mas percebi que não da, desisto. Toda essa bagunça, todo esse caos, toda essa felicidade limitada, vão penetrando na minha pele, me fazendo se contorcer na cama a noite, não me deixando dormir. 
   Minha mente anda com seus próprios pés, meu corpo agora esta parado, vendo ela se afastar. 
   Desisto, sento, deito na grama fria. Me leve, me domine...

domingo, 20 de março de 2011

Acabou

   Arranhei corações, esperanças, para chegar la. Abandonei meus sentimentos, abandonei sorrisos, joguei dias no lixo pois não me interessavam. 
   Sempre que olho pra frente vejo o vazio, quando olho pra traz vejo as pessoas que machuquei, pra chegar onde estou. 
   Agora infectado pelo vírus do arrependimento condenado a morte pelos meus atos. Tive o que mereci.
   Sei que desculpas não vão devolver a minha vida, nem o brilho dos olhos de quem arranhei, machuquei, abandonei. Mesmo assim, minhas sinceras desculpas.
   Minhas ultimas lágrimas, agora de um sentimento real.  

sexta-feira, 18 de março de 2011

Não mais...

   Há escrito em mim uma historia que não vivi, que não senti, que enxerguei. A tua vida, a vida de quem passou dias pensando em mim e não pude corresponder. 
   Lhe peço meu sincero perdão por não poder corresponder a esse amor tão puro e doce, por ter feito você chorar, por fazer você pensar em mim 24 horas por dia e não viver a sua vida. Perdão novamente, pois sei como esse sentimento é destruidor, sei o que é amar e sentir raiva por não ser correspondido.
   Há escrito em mim uma historia que esta pronta para ser apagada, se você quiser, se eu for pra longe do alcance dos seus olhos castanhos, se você começar a enxergar o mundo ao seu redor e não o mundo ao meu redor.
   Os dias são tão curtos, não os desperdice me esperando, pois eu não penso em te ver. 

sábado, 12 de março de 2011

a reason

   Até uns dias atras vivia por viver, sorria por sorrir, chorava por chorar, sem ter nem um motivo que valesse a pena. Meu mundo foi se destruindo aos poucos. A cada lágrima escorrida no meu rosto, um grito, a cada "eu estou bem", uma mentira.
   Não sei falar te amo, simplesmente não consigo, e quando digo me sinto mal. Sem explicação. Aquela dor na garganta, sinto ela ficar quente, segurando um choro que iria me aliviar por um certo momento.
  Fingir, ser falsa mas sincera, enganar e ser enganada por mim mesma. Sonhar sem acreditar que pode realizar, realizar e não acreditar, virar as costas. Querer tanto que quando consegue enjoa.
   Uma sucessão de mal entendidos, desapontamentos, sede de vida não satisfeita, tudo entrou em chamas e queimou meu coração, só deixando destroços. 
   Choro mais uma vez, pois posso ouvir o barulho do martelo contra a madeira, reconstruindo a minha felicidade, minha vida.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Entre a fumaça há verdade inventada.

   Flora vivia em uma linda cidade, tinha uma linda casa e um namorado sempre a disposição para atender todos os seus desejos e seus gritos de socorro raramente ouvidos. Mas havia algo de errado em sua vida. 
   Ao olhar de estranhos ela era perfeita, ao meu olhar é perfeição até demais. Comecei a bancar a espiã, observando cada passo e cada suspiro, sempre atenta ao seu andar e sua desenvoltura com as pessoas ao seu redor, seus sorrisos, sua voz e o cheiro maravilhosamente hipnotizante assim como seu olhar profundo.
   Saia de casa as sete da manhã, haja disposição, passava em uma banquinha de flores ao lado de sua casa pelo menos duas vezes por semana, depois chegava ao prédio em que trabalhava na parte administrativa, saia ao meio dia em ponto para almoçar e para se encontrar com seu namorado muito feio pra beleza estonteante dela, saia de la ao meio dia e quarenta e cinco e ia para casa - tudo muito perto, a casa a banquinha de flores, o trabalho e o restaurante, tudo em duas quadras - e voltava para o trabalho as uma e meia, de la só saia as seis da tarde, e ia direto pra casa, só nas sextas passava na casa de uma amiga com roupas extravagantes com uma animação contagiante, depois disso só saia tarde da noite. Nos sábados ela ia visitar seus pais, no cemitério. Aos domingos sua casa era cheia de amigos e parentes. Em sua rotina não parece ter lugar para o tédio muito menos espaço para algum mal ou tristeza. 
   Afinal, por que desconfiava tanto assim de Flora? Algo dentro de mim sempre dizia nada é tão perfeito, a claro, o namorado dela é muito feio e seus pais não estavam mais presentes em sua vida, mas a questão não é essa, e sim que ela escondia algo que fugia do meu olhar atento. Claro, não ficava vinte e quatro horas vigiando seus passos seguidos do maravilhoso som do seu salto alto batendo contra o chão. Por que tudo nela parecia tão perfeito e tão falso ao mesmo tempo?
   Era sábado a noite, a ausência do sono já estava me entediando, resolvi então ir para o bar, falar muita merda depois de algumas vodkas. Desci as escadas, peguei meu casaco jogado em cima do sofa, calcei meu all star e fui procurar algo para fazer.
   La fora estava frio, um vento gélido passava por mim e brincava com os meus cabelos fazendo eles ficaram cheios de nós que vai exigir alguma parte do meu precioso tempo para pentea-los. Cheguei no bar, subi mais dois degraus, sentei no banco e comecei a falar com a atendente já acostumada com os meus assuntos chatos que nunca mudavam, mas o que realmente havia mudado la era a sua expressão do nada, olhei para traz para saber o motivo.
   Entrou no bar uma mulher com um casaco preto, meia calça preta e um sapato envernizado, fui subindo o meu olhar até seu rosto, uma boca tão vermelha quanto uma rosa, e cabelos tão loiros como o brilho do sol. Era Flora.
    Sentou ao meu lado, pegou um cigarro da bolsa e o acendeu, olhava fixamente para a atendente, e disse:
   - Tentei tirar essa dor do peito, fiz você me odiar Clarice, quem deveria me odiar aqui era eu mesma. Sou tão fria, tão falsa, não quero aceitar a minha própria realidade, não quero aceitar que te amo, que quero passar o resto da minha vida ao teu lado. Você sabe o quanto é duro se sentir mal por causa de um amor errado? Se sentir mal por não se aceitar...
   Entre a fumaça do seu cigarro ela soltava lágrimas e desabafos. Não fiquei chocada com o que havia acabo de presenciar.
   A atendente, ou melhor, Clarice tinha uma postura firme diante a Flora, olhando a nos olhos, sem nem uma expressão. Sua boca estava tensa para falar algo, não aguentou e disse.
   - Amor errado? A claro, errado é você me largar pra ficar com qualquer cara que aparece na tua frente pra tentar mudar quem você é, me diz, quantas vezes você olhou pra ele e sentiu nojo? Eu mesma perdi a conta...
   Estava no meio do fogo cruzado de olhares cheios de amor e ódio, cheios de duvidas e angustias. Agora entendia por que ela tinha um sorriso que não parecia ser dela, era um sorriso para disfarçar a verdade.
   Flora deixou o cigarro no cinzeiro, levantou do banco e saio com a maquiagem borrada por lágrimas amargas, e Clarice murmurou algo parecido com um "eu te amo", talvez quem realmente não queria aceitar era ela, não Flora.
   E acabou assim, Flora em sua felicidade forçada e Clarice perdida em um amor mal resolvido, e eu... só o que me faltava era sentar e escrever essa linda e trágica historia escondida no amanhecer do dia e acabada no trágico cair da noite e das lágrimas.  
   

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Preto e branco...

   Estou cansada, exausta, minhas costas doem, meus pés estão machucados, no meu rosto escorre  suor de um amor pesado que tenho que carregar sozinha e escondida. 
   O choro chega até minha garganta e sempre resolve voltar, é duro sentir e não poder jogar pra fora, mesmo assim eu não quero largar, eu morro com esse sentimento, eu morro de cansaço. A minha burrice é maior, a minha esperança é sem limites, meu amor por você é meu mal, meu bem, se tornou uma necessidade, a minha droga, o branco do meu dia, e o preto da minha noite...
   Caio no chão, olho pro céu e uma lágrima escorre, um alivio, mas a seco e me levanto novamente e continuo a caminhada, exausta. Eu ainda acredito que você vai dividir esse peso comigo, mas não demore, pois quando resolver vou passa-lo todo pra você e vai sentir na pele esse amor.
    Apesar de tudo, isso me fortalece...

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Não sou maldosa...

   Mais uma vez a morte é julgada como ruim, sombria. 
   Saiba que ela também tem um coração, tu achas que é único capaz de sentir?
   Como se ela não tivesse coração, como se ele não fosse partido em mil pedaços toda vez que ela se via obrigada a levar uma alma consigo.
   Sou mais um espírito errante que vaga pela terra e atormenta a sua vida inútil, a morte não quis me levar, pois nem o céu nem o inferno é o meu lugar, não acertei nem errei, não machuquei e nem curei, sem duvida fui a decisão mais difícil da minha amiga morte, ela não sabia se me levava com ela ou me deixava no temido coma, entre a vida e a obscura duvida do que me aguardava.
   Ela estava pronta pra mais um serviço, pegar a alma pesada de bondade de uma senhora que aparentava ter uns 70 anos. Era assim que eu a observava, a morte levantava a sua mão e a passava gentilmente no rosto cheio de rugas chamando assim a alma daquela senhora para a luz e leveza que a aguardava.
   Algo de estranho aconteceu assim que a alma desapareceu ao encontro da duvida, o céu. A morte se desfez em cinzas, um vento gélido que até eu pude sentir tomou aquela sala, e de repente senti um coração bater em meu peito, até alguns segunda havia pensado que ele não existia mais, e a quebra da barreira da duvida... agora sei o que é o céu, o inferno. 
   Suei frio, nunca senti tanto medo, parecia estar viva de novo, mas não, uma seqüencia de mortes passavam como filme em minha cabeça.
   A morte na qual me prendeu ao mundo estava com o barril cheio de almas, e o meu estava vazio, assim logo me toquei. A difícil lição de morrer de novo todas as vezes que tirar uma alma de um corpo foi passada a mim.
   Diga me, achas que esta pronto para me seguir e ser o próximo barril?

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Guardada entre páginas.

   Tentei me afundar em seus olhos, arrancar o medo deles. Anda tão distante, sombria, estou começando a achar que não gosta mais de mim, e isso dói, você não sabe o quanto, mas me conformo.
   Já se passou metade do dia, e você continua calada, pensativa. Sabe o que já passou pela minha cabeça? Inúmeras coisas horríveis. Superamos todas as dificuldades, fazendo nosso amor quebrar as barreiras do preconceito, mas acho que isso nos desgastou. 
   No minuto em que te vi se levantando daquele sofá e indo pro quarto, saindo de la com uma mala e uma lagrima escorrendo sobre seu rosto, não tive mais duvidas deque era o fim, você não precisou dizer que ia me deixar, eu sempre soube que nunca foi amor de verdade. 
   Eu não chorei por causa disso até hoje, e nem vou chorar, pois não é tua culpa, a pressão para que nós duas terminássemos era grande, nossas famílias nunca aceitaram, e isso também nunca foi amor, só uma paixão, que passou e felizmente não deixou feridas.
   Agora me encontro na beira do mar com outra companhia, mas minhas lagrimas ainda estão guardadas pra você, em nome de uma futura amizade, sei que um dia vamos nos encontrar novamente. Em nosso livro ainda há muitas páginas em branco para serem escritas...

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Auto-destrutiva

   Engolia o medo, procurava as criticas, sonhava coisas impossíveis, isso me angustiava. Cavava o buraco para me enterrar dentro, colocava os fones de ouvido pra não ouvir o mundo.
   Resolvi seguir o caminho errado, chorar sem motivo, bancar a rebelde, fugir de casa, respirar fundo e cavar até o fim. Agora olhe para as minhas mãos cheias de lama, misturada a lagrimas, a desespero.
   Queria gritar a todo tempo, mas me contenho, me prendo a vergonha, ao medo. Encaro meus demônios e mesmo sabendo que me fazem mal os acompanho.
   Deixo exposto em meu rosto a minha tristeza, angustia e desespero. Mas ninguém parece ver nada, ignoram..

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Doce remédio.

   Gasto noites e dias rondando os cantos de casa procurando o que é certo pra ti. O que um dia foi chama, agora esta congelado pelo desejo, que sumiu, que estava em minhas mãos e desapareceu, virou vento.
   Conviver com essa dor esta ficando cada vez mais fácil, sinto ela se aliviar, pois consigo dormir mais do que 3 horas por noite. Ela vai escorrendo do meu coração e molha o colchão, aquela água que veio de um mar de falsas palavras, que eu mergulhei, me iludi.
   Dou mais um passo e sinto o vento do desejo que havia sumido, mas agora não passou de uma brisa. Abaixo a cabeça e sai do meu olho a ultima gota de lagrima desse mar, desse amor, dessa ilusão.
   Mas posso dizer que foi a melhor ilusão da minha vida, pois eu consegui curar a ferida.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Mínima, semínima.

   Ao som do piano repasso a minha vida, peço perdão por todos os meus erros, levanto a cabeça por todas as lagrimas tristes e solto um sorriso de canto para as de felicidade.
   O som do piano não era mais tão provocante, meus dedos não eram mais tão determinados e sentimentais, o som saia por sair, mas ainda dava pra perceber que era Chopin. Não sei o que havia acontecido com todos os meus sentimentos, me sentia tão fria, sem coração, minha alma estava saindo aos poucos do meu corpo, provocando uma dor imensa e profunda, não sabia mais o que era sonhar. O que me restava eram aquelas velhas musicas, tocadas sem sentimentos.
   Preciso de alguém que me faça sorrir, que traga de volta o lindo som do meu piano, que faça essa dor passar, que me faça parar de pensar que sempre estou no meu ultimo dia, que sempre estou a beira da morte.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Ruína

   Estava andando entre os destroços da quele nosso amor perdido, bagunçado pelo vento gelado que veio do sul, acho que era tão gelado a ponto de congelar teu coração, alias, nem sabia que você tinha um, fiquei surpreso.
   Te encontrei com um cara misterioso, fiquei em um canto só observando, e era ele, aquele que vai te levar para um poço sem fundo. Juro que não te entendo. Vai sofrer ainda mais, pelo menos isso mostra que tem no minimo algum sentimento dentro desse teu coração impenetrável.
   Lembro do dia em que estraguei a minha vida, o dia em que te vi naquela praça sentada no banco ainda inteiro, sem marcas de vândalos, com um café e um cigarro ocupando suas duas mãos, e um livro no colo. Sentei ao seu lado, pois era meu banco preferido. As melhores brisas nunca deixam a praça sem antes passar por ele.
   Começamos a conversar, em apenas algumas palavras soltas pela sua boca vermelha pude notar o quanto era inteligente, uma verdadeira filosofa, ou não.
   Estávamos tão embalados em um conversa prazerosa, lembro da parte que me fez se apaixonar não só pela sua aparência, e sim pela sua inteligência, você esqueceu completamente do cigarro e começou a falar  "por que o homem tem a necessidade de desvendar os mistérios da vida, sendo que é eles que nos faz imaginar mil e uma possibilidades, ver que nem tudo esta perdido? Então vem um filho da puta e nos joga da cruel realidade falando que unicórnios não existem".
   Se quiser parar no fundo do poço com este homem não posso fazer nada, mas fique sabendo que se sentir falta dos meus braços sou capas de ajuntar todos esses destroços e transformar novamente em uma casa. Meu amor ainda esta entre entulhos do que um dia a gente viveu.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Nada a perder

   Tudo isso não passa de palavras não ditas, desejos não satisfeitos, raivas contidas, sentimentos afogados, magoas acumuladas, uma vida jogada ao lixo...
   Quem dera um dia pudesse voltar no tempo, acho que no fundo essa é a vontade de todas as pessoas, escolher outro caminho, outra vida. Percebi que por mais que eu mude de direção, nossos caminhos sempre dão no mesmo lugar.
   Podemos prolongar esta dor por muito tempo, mas sei que tenho outra opção, e ela insiste que eu comece desde o começo.
   E querida, saiba que posso mudar.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Cherry

   A menina da cidade grande, destemida, linda e mesmo assim sombria, afasta-se dos olhares de ternura, e se proíbe de sentir alguma coisa alem de ódio.
   Vem de família rica, poderosa e influente, criada em uma prisão que ousaram chamar de proteção. Agora esta assim, intocável que nem uma estrela, insensível, amarga, mas de uma beleza de torturar a mente de qualquer homem que a desejasse sabendo que nunca poderia a ter, e provocar inveja a qualquer mulher.
   Andava pelas ruas de New York como se estivesse flutuando, era como se possuísse o mapa da cidade na palma de suas mãos pequenas e macias. 
   Em seus pés um oxford envernizado preto, um pouco gasto, vestia um shorts curto meio rasgado, uma camisa jeans e um chapéu preto, cabelos loiros quase brancos, lisos, com um corte chanel e um batom vermelho hipnotizador.
   Mas afinal, quem realmente era ela, uma menina vitima da proteção familiar, ou era só mais um escudo que ela mesma criou? Pra não sofrer com as decepções que as pessoas podem lhe trazer...
   Só sei que não tenho noticias dela faz 1 ano, algumas pessoas dizem que ela se matou, outros falam que se mudou de cidade, mas eu ainda acredito que ela anda sem rumo pelas ruas de New York em busca de alguém que resgate seus sentimentos bons, e que faça a sua vida um dia ter valido a pena.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Fuck Society!

   Meus pensamentos andavam por todos os cantos aquela noite, e eu continuava la, sentada na poltrona em frente a janela observando as estrelas, tão lindas, intocáveis e encantadoras que dava vontade de me tornar uma delas.
   Pensava o quanto estava sofrendo com toda aquela situação, minha família não aceitava o meu estilo de vida. Estava a beira do abismo, sempre tive quem me amparasse, agora viraram as costas para mim e só sabem julgar e falar que minhas escolhas nunca foram certas. 
   Não existe certo ou errado, o que existe são as consequências, e até agora elas sempre se resultaram em tamanha felicidade, até o dia em que comecei a me sentir só, e a merda dessa felicidade foi se espalhando pelo chão, escorrendo e entrando no ralo. Não consigo conviver com a falta de uma pessoa que sempre esteve ao meu lado, não se importando sobre o que a sociedade achava disso, alias, amor não tem regras nem barreiras.
   Levantei da poltrona fui até a geladeira e peguei uma garrafa de Jack Daniel’s para acompanhar os cigarros que sempre deixo em cima da mesa. Minha vida se resumia a me afogar no álcool todas as noites, quando não eram em lagrimas. Era a angustia tomando todo o meu corpo, como um câncer se espalhando e me matando...
   Não meço esforços para tentar me levantar novamente, mas é tão dificil, tão doloroso, mas nada me impede, nada me contem.
  O dia em que as diferentes escolhas vão mudar o mundo, o dia que a sociedade manipuladora virara pó diante os olhos das pessoas ignorantes.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Alimento para a minha solidão...

   Me abrace forte, quero sentir o calor dos teus braços e por um minuto me sentir bem, queria lhe contar tudo o que passei nesses dias em que estive fora de seu alcance.
   Tudo o que eu precisava era refletir sobre a minha vida, sobre minhas escolhas e por que tinha as feito, tudo o que precisava era respirar sem fazer meu coração doer.
   Lembrei de todos os momentos que passamos juntos e de como você fazia simples coisas rotineiras se transformarem em algo amável e divertido. De quando íamos sair e você passava aquele batom vermelho em sua boca e não me deixava beija-la por medo de borrar. Nossas metas que definíamos quando íamos para o quintal da casa olhar a lua e ouvir as cigarras que faziam um lindo som quando você estava por perto.
   Pensei tanto sobre minha vida, que percebi que em todos os meus pensamentos você estava ligada a eles de alguma forma.
   Se tornou mais do que o alimento da minha alma, você é a minha vida, e infelizmente não tem como negar mais isso...
   Vou voltar ao quintal esta noite, olhar a lua, tentar arrumar alguma forma de tentar esquecer esse amor que eu nunca quis sentir, que me faz ser obrigado a chorar e sorrir ao mesmo tempo. 
   Estou confuso... muito confuso.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Snow

   Deito me sobre a neve branca e olho para o céu aproveitando os poucos minutos de sol, antes que a nuvem venha esconde-lo atras dela... 
   Meus pensamentos morreram ali mesmo, quando a ultima folha da arvore caiu sobre meu rosto desejando assim um ótimo inverno, ótimo? Talvez não... 
   O verão abandonou meu coração, mas ainda ha sangue correndo por minhas veias e ainda consigo respirar o ar gelado. Meus fantasmas voltaram a vida e as portas começam a bater em minha casa, por culpa das janelas abertas e do vento que entra sem pedir licença.
   Meus olhos perderam todo o brilho da primavera, passo assim o inverno da minha alma, pelo restante dos meus dias...

Cruel penumbra...

   Quando temo em perder a minha existência, por nada, tudo aquilo foi nada. 
   Idiota que sou eu, os pássaros não cantam mais desde o dia em que apareceu em meus sonhos, como se o ar fosse tirado dos meus pulmões. Sua pele pálida, seus olhos repousando sobre os meus, tu estavas imóvel, só o vento fazia seus cabelos balançarem e as folhas das arvores iam no mesmo ritmo.
   Tudo não passou de um sonho ardente. Acordo e estou coberta por uma penumbra de sonhos, nunca realizados, de desejos abandonados, rasgados e queimados.