quinta-feira, 28 de abril de 2011

Open fire.

   Não morra Ana, não desista do amanhã, por favor. Acenda o fogo da sua alma, é a unica maneira de enxergar o brilho dos seus olhos, dos meus olhos. Com esse mesmo fogo queime o que não te deixa lutar, queime suas barreiras, queime suas limitações. 
   Você não enxerga um mundo de formas, mas agora você vê um mundo de som e sentimentos. Obsessão por texturas. Queria lhe dar meus olhos, mas você é uma droga, entraria em crise de abstinência se ficasse um dia sem ver seus cabelos tentando fugir com o vento.
   Pra mim você nunca enxergou tanto como agora, eu te ajudo a aprender a viver de novo. Assim que você sair desse hospital eu te ajudo, eu vou ser o seu apoio e você vai ser o meu. 
   Ana não desista de hoje, não desista do amanhã mesmo ele sendo tão incerto.    

domingo, 24 de abril de 2011

   Me vejo subindo um poço, olhando pra traz e tirando palavras dele, encontro as vezes rosas tão vermelhas quanto a sangue que ainda corre por minhas veias. Tão submissa e frágil, mas tão forte e intolerante, as vezes só preciso de um abraço pro doce voltar a minha boca, as vezes só preciso de um tropeço pro veneno da minha boca jorrar no chão e nas pessoas. Concordo quando dizem que sou fria, discordo também, tem dias que ninguém se sente mais repleto de sentimentos quanto eu, pelo simples retornar de uma lembrança quente e que volta pálida e gélida.
   Obcecada, desorganizada, abstrata, falsificada, incompreendida, incontida...  cansei de ser nada aos olhos dos outros, cansei de ser tudo aos olhos sem pensamentos do espelho. As vezes me sinto estranha por me carregar sozinha, por me aturar, por não poder fazer nada pra calar a minha boca que esta me enchendo o saco desde que descobri que podia me expressar por inúmeras maneiras. Confesso que fiquei aliviada. Recolhi a rosa do meio das pedras, tão solitária quanto eu, coloquei entre os dentes e retomei a escalada, por favor, que quando eu chegue no topo a lua me receba de braços abertos, pois já cansei de olhar o sol e vê-lo tão distante rindo do meu fracasso.
   Preciso de um café agora, ou apenas de um sorriso verdadeiro.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Programados!

   E sem destino eu sou, e com o destino eu vou. Você realmente não percebe que o mundo não é mais nosso, e sim de nossas ambições? 
   O que move seus pés? O que faz você mexer a boca para falar? Do que você se arrepende? Do que você se orgulha? O que você espera? O que você quer de volta? O que você quer esquecer? O que você quer lembrar? O que você pensa quando acorda? O que não deixa você pensar quando vai dormir? O que você realmente ama? O que você odeia? O que te faz julgar? O que te faz se recuar? O  que te faz feliz? 
   O que te faz viver?
   Então você cai na realidade e percebe que esta perdido, no vazio de falsas idéias programadas.

domingo, 17 de abril de 2011

O ressaltar da lua e o desaparecer do sol

   Dois apaixonados pelo vazio, pelas palavras, e as loucuras que eles escreviam, ao final de cada por do sol, em um sábado como outro qualquer.
   Loucos por aventuras, obcecados por lindas historias de amor, ambos com corações partidos e olhares tão distantes, mas tão afiados e perigosos quanto uma faca.
   Eles podem ser a fantasia de qualquer pessoa, podem criar, desfazer, matar e reviver. Com um lápis de ponta afiada, com idéias contrarias que juntas fazem todo o sentido, assim como preto e branco,  amor e ódio.
   Após amanhecer novamente eles voltavam para a sua casa. 
   Ele vivia em sua sala, sentado no seu sofá empoeirado, ao som de Frédéric Chopin. Levava uma rotina exaustiva, chata. Mas o que o fazia seguir em frente era o seu sonho de se tornar um grande escritor. 
   O coitado foi enfeitiçado, e seu coração foi levado por uma moça ruiva de olhos com um verde vibrante. Caiu na solidão ao ela lhe deixar e então seus textos foram todos dedicados a sua tristeza. 
   Então ele morreu com a mais temida febre do amor e a deixou só perdida entre palavras que não conseguia passar para o papel, ela se condenou, ela chorou ao lembrar de seus sussurros depois do ressaltar da lua e o desaparecer do sol. Indignada com a moça de cabelos ruivos na qual não sabia nem se quer o nome pois se negou por puro ciúmes, jurou vingança, e a cumpriu, derramou sangue.
   Depois disso escreveu um romance, onde a personagem principal era ela, declarava-se ao sol pois não queria escrever o nome dele, não queria crava-lo em seu peito, queria esquecer.
   O silêncio é um fogo calmo, que a queimou.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

15:15

   Te ver jogar sentimentos privada a dentro, te ver se sentir bem ao se matar aos poucos... Acho que para você agora é muito mais importante a aparência do que a vida. Alias, como você mesmo me disse "se for pra morrer, eu morro bonito e magro dentro de um terno caríssimo". 
   Te ver sem camisa era como ver um lençol por cima de um cabide. Por um instante quis chorar por você, mas engoli meu choro, coisa que nem isso você faz mais. Estou com muito medo por você, muito mesmo...
   Entrei em um corredor, fui dando passo por passo, ecoando e voltando, o brilho do meu oxford agora ja não existia mais, assim como os dos meus olhos. 
   Quarto 301.. 302... 303... 304 era esse que a moça da recepção havia falado, toquei levemente a maçaneta, tudo me passou pela cabeça. Não aguentei, voltei alguns passos, sentei no chão, me desfiz em lágrimas, me enchi de medo, entrou em mim o desespero. O que eu iria encontrar por traz daquela porta? Talvez nada. Nada mesmo.
   Vi alguém se aproximando, era a enfermeira, ela me olhou e disse:
   - Esta tudo bem senhorita? - com uma voz suave, e encantadora. 
   - Não, não estou nada bem, preciso de forças para o que me aguarda, mas não tenho. A falta de coragem agora mais parece um câncer que se espalhou por todo o meu corpo. 
   - Levante-se - disse a enfermeira - em que quarto esta a pessoa que quer ver?
   - 304 - falei baixo, quase sussurrando.
   - Vou ir nesse quarto mesmo, quer companhia até la?  
   - Não quero, preciso.
   Passei a mão no rosto para secar as lágrimas, ajeitei a bolsa no ombro, coloquei a mão no bolso. Mesmo sem coragem segui a enfermeira. Ela tocou na maçaneta e a abriu, anunciou. 
   - Há visita para você Brian. 
   Olhei para o meu melhor amigo deitado em uma cama de hospital, pálido, magro, com um olhar triste e sombrio. Peguei a sua mão, olhei para o fundo de seus olhos, então ele disse. 
   - Seu olhar já me diz tudo... se eu soubesse que essa doença iria afetar mais você do que a mim mesmo teria voltado atrás. Eu... eu não pude me conter, eu perdi o controle, era tentador, a busca pela beleza que já tinha e agora não tenho mais. Você me perdoa?
   - Inconstante como a lua, você sempre foi assim. Nunca demonstrou nem um afeto, mas eu sentia... Você sabe quanto tempo deixei o silêncio tomar o meu coração? Não... ver você se destruir, me destruiu. Como poderei não te perdoar, se quando amamos não há dor alguma que nos faça ser cruel.
   Ele me deu um sorriso e disse quase sem forças.
   - Estou bonito? 
   - Não mais...  
   Algo apitou. Hora da morte 15:15.