domingo, 17 de abril de 2011

O ressaltar da lua e o desaparecer do sol

   Dois apaixonados pelo vazio, pelas palavras, e as loucuras que eles escreviam, ao final de cada por do sol, em um sábado como outro qualquer.
   Loucos por aventuras, obcecados por lindas historias de amor, ambos com corações partidos e olhares tão distantes, mas tão afiados e perigosos quanto uma faca.
   Eles podem ser a fantasia de qualquer pessoa, podem criar, desfazer, matar e reviver. Com um lápis de ponta afiada, com idéias contrarias que juntas fazem todo o sentido, assim como preto e branco,  amor e ódio.
   Após amanhecer novamente eles voltavam para a sua casa. 
   Ele vivia em sua sala, sentado no seu sofá empoeirado, ao som de Frédéric Chopin. Levava uma rotina exaustiva, chata. Mas o que o fazia seguir em frente era o seu sonho de se tornar um grande escritor. 
   O coitado foi enfeitiçado, e seu coração foi levado por uma moça ruiva de olhos com um verde vibrante. Caiu na solidão ao ela lhe deixar e então seus textos foram todos dedicados a sua tristeza. 
   Então ele morreu com a mais temida febre do amor e a deixou só perdida entre palavras que não conseguia passar para o papel, ela se condenou, ela chorou ao lembrar de seus sussurros depois do ressaltar da lua e o desaparecer do sol. Indignada com a moça de cabelos ruivos na qual não sabia nem se quer o nome pois se negou por puro ciúmes, jurou vingança, e a cumpriu, derramou sangue.
   Depois disso escreveu um romance, onde a personagem principal era ela, declarava-se ao sol pois não queria escrever o nome dele, não queria crava-lo em seu peito, queria esquecer.
   O silêncio é um fogo calmo, que a queimou.

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