segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

8 ou 88?

   Não... Eu não gostaria que o mar lhe trouxesse de volta, assim como não gosto do mar e nem das estrelas. O asfalto me sustenta melhor e as luzes dos postes de energia iluminam mais. Vodka me deixa mais feliz que aguá, cigarros me dão mais vida  tanto quanto a fumaça dos carros, a preguiça me embala mais que a hiperatividade.
   Impressão? Adaptação? Ilusão? Talvez sim, talvez não! Só espero... Não, eu não espero! A cada maré do mar posso fazer uma musica para sua ausência, mas por favor, não me deixe fazer uma obra literária de sua presença.

domingo, 11 de novembro de 2012

Incorretamente correto!

   Seria um insulto contra a minha falta de ética falar do que é certo? Pela primeira vez na minha vida ando sem um caminho a trilhar ou sem montanhas para subir, é realmente um insulto contra a minha capacidade de trapacear nos obstáculos.
   Talvez entre esse caminho muito bem asfaltado liso e sem monstros, posso encontrar um objetivo. O mais interessante da vida, é que tudo o que se faz da maneira mais estupida  e fútil, é venerada como se fosse a vida. Sentido, me de o caminho digno ou pelo menos tire minha capacidade de pensar.
    

domingo, 28 de outubro de 2012

Matar ou Morrer?

- Desculpa, mas tive que matá-lo.
- Como assim, matá-lo?
- É algo complicado de dizer, de explicar ou até mesmo de sentir.
- Por que me deixa tão confusa?
- É melhor a confusão do que a organização. Você sempre tem algo para fazer na bagunça, procurar coisas, encontrar, arrumar, e depois desarrumar. Já em algo organizado, nunca tem nada de novo.
- Que seja. Me fale Tom, quem você matou?
- Por que você se importar mais com o "quem" do que com o "o que"?
- Oras, o "o que" não tem vida!
- Esse é o problema, o "o que" e o "quem" eu matei não se refere a nada.
- Nada?
- Nada.
- Então me preocupei com nada?
- Exatamente, o "o que" e o "quem" eu matei não é nada pra você.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Para o Sr. Cappel

   Deixe-me preencher a vida de ar, já que o que a preenchia não existe mais. Deixe-me mudar os moveis de lugar, já que o motivo ao qual os mantinham la não existe mais. Deixe-me escrever minhas poesias com outras rimas, já que as palavras antigas não rimam mais. Deixe-me acabar com o resto que há, já que o que tenho não me serve mais. Deixe-me, apenas deixe-me, pois a sua presença não me satisfaz.  

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Soluços de uma noite passada

    Eu tenho as perguntas. Você tem apenas respostas controversas. Nós... estamos perdidos na noite passada.
  Por meio de fotos, videos e musicas, relembramos o presente. Previsível como sempre. O futuro nos abandonou em um quarto de hotel na beira da estrada, e o passado é o nosso único companheiro, tomou vinho com a gente, sentou na poltrona barulhenta e participou da nossa discussão de casal pra uma noite. 
      Poucas pessoas percebem a minha ânsia de existência,  a minha vontade de pegar na mão do cara estranho mas de aparência tão conhecida e sair correndo em busca de um maço de cigarros e uma taça de vida...

segunda-feira, 2 de julho de 2012

O preço de um vestido

   Um vestido longo preto que brilhava tanto quanto os seus olhos escuros e penetrantes, eu vejo a vida correr dentro de você, eu vejo seus sonhos se transformando em metas enquanto o tempo passa e você envelhece sem se importar... 
   O tempo passou! 
   Em apenas alguns anos lhe vi como uma mulher adulta, o mesmo encanto, a mesma essência, mas algo sempre muda. Para atingir as suas metas você matou a sua ingenuidade, fez do seu encanto uma arma e da sua essência um veneno. 
   Te disse noite passada que eu daria tudo pra ver os seus olhos brilharem por felicidade ao invés do poder, e você me disse com a mesma doçura de antes, mas com palavras assustadoras. Felicidade não move o mundo amor, felicidade não traz dinheiro, felicidade não traz fama, felicidade é apenas um sonho e eu já desisti de sonhar faz tempo.

terça-feira, 29 de maio de 2012

O que alguns não sabem...

   E quem foi o tolo que disse que não podemos voar? Queria conhecer ele pessoalmente, mostrar o céu de outra maneira, e ensina-lo andar a favor do vento sem perder a direção. 
   Acho que no meio de tanta bipolaridade vinda de mim, há um tempo para ser feliz, aquele exato momento em que toca uma musica no piano, e as notas se espalham por toda a sala, e são carregadas pelo vento, e estão no ar que você respira...
   Para voar necessariamente não precisa tirar os pés do chão, basta tirar a mente. O sonho é a realidade que a sua felicidade procura.
   Vamos beber mais um pouco pra poder segurar a felicidade nas nossas mãos sem ver ela escorrendo e sendo absorvida pela terra.
    Vou deixar de digitar menos e voar mais, vou deixar de escutar sermões e passar a escutar criticas construtivas!

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Produto Tóxico

  É, um dia crescemos e nos deparamos com um mundo feito de mentiras e temos que viver nele, e pra sobreviver é preciso ser esperto. 
  Nem tudo no que pisamos aguenta o nosso peso, nem tudo o que olhamos realmente existe. Atenção olhe pros dois lados da rua, porque nem todos param no sinal vermelho, afinal de contas é muito mais fácil enganar as pessoas e esconder a verdade dentro da sua suposta Chanel 2.55. 
  Vamos apagar as luzes e fazer com que nossos olhos mirem na luz que há dentro de nós. Alguns ligam a lanterna, ta fazendo do jeito errado meu amigo, nem sempre o mais pratico é o correto, mas agora de que adianta se poucos se importam com o certo.
  O que não percebemos é que até mesmo os que criticam a sociedade lutam para estar dentro dela.
  
   

quarta-feira, 28 de março de 2012

Vanished

   Eu sempre quis fazer o tempo correr mais rápido, para atender aos meus desejos e a minha falta de paciência. Eu sempre quis ver os rastros das luzes ao invés da luz, sempre quis sentir o vento jogar meus cabelos pra traz com força. 
   Corri tanto, sonhei tanto, e ainda espero. Posso ouvir o que você fala na minha mente, posso lhe encontrar enquanto durmo, posso ver você rindo e chorando, mas não sinto seu calor nem o gosto desse amor que nem conheço que vivo pela metade e que desejo sem limites.
   Tento aprender a respirar, mas a vontade é de me afogar, queria poder correr e correr e correr até o tempo passar, até lhe encontrar, até poder lhe dar um abraço e dizer "por favor, me ensine a respirar". 
   Talvez tenha feito tudo errado, mas posso fazer melhor com as luzes acesas, talvez tenha dito tudo errado, mas posso dizer o certo se as buzinas dos carro e toda essa poluição sonora da cidade grande desse uma trégua. Pra você sentir como eu me sinto também, pra você ouvir tudo o que eu ouço, pra você ver tudo o que eu vejo.
   Eu vou cruzar oceanos como nunca antes, não vou deixar acabar o que nem começou vou fazer de tudo. Ouça a minha voz, meu coração bater, o barulho do meu salto na calçada, feche os olhos e se concentre na força que nos envolve. 
   Por favor, não diga que acabou quando eu não estou acabada, quando nem sequer começou. 

sexta-feira, 2 de março de 2012

Fevereiro

   Alguns são servos dos próprios sentimentos, outros são vitimas, uns aprendem a controla-los e outros já desistiram de senti-los e sucumbiram no turbilhão das emoções. Alguns lutam contra eles, outros ignoram. Eu mantenho os meus presos, trancados a sete chaves, as vezes acho que eles já morreram de fome e não estão mais la, bom, assim espero. 
   Quando não se sente o calor do verão ou o frio do inverno é muito mais fácil escolher a roupa que vai vestir, quando não se sente nada é muito mais fácil controlar as pessoas a sua volta. Fevereiro já acabou, o inverno aqui em New York esta indo embora, e as pessoas que estavam desesperadas em busca de sinais da primavera finalmente estão satisfeitas, mas lembrem-se, o inverno vai e o verão vem pra aquecer a vida e tornar os problemas mais quentes na sua mão a ponto de causar queimaduras sérias. 
   Sentimento é um bicho traiçoeiro que vive em qualquer estação, em qualquer lugar, em qualquer pessoa. Ele vem forte pra depois se tornar a sua fraqueza, ele usurpa todo o seu tempo e sua atenção, e quando encontra um outro sentimento em outra pessoa já da um jeito de ir la incomodar e te leva junto, mas ainda há esperança, quem sabe o outro seja reciproco, mas cuidado, o reciproco muitas vezes consome e atrai inveja.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Entre pontos

   Tudo gira em torno das mesmas palavras, dos mesmos sentimentos, das mesmas angustias, da mesma eterna falta do que fazer, da mesma mentira. A mesma solidão. Do mesmo momento, dos mesmos dedos que deixam escapar a vida entre eles. Das mesmas pessoas, das mesmas atitudes, das mesmas sombras, dos mesmos tormentos, do mesmo ar, do mesmo fogo, da mesma fumaça, da mesma rotina, das mesmas lagrimas. Dos mesmos mesmo que insisto em repetir, que insisto em me iludir. Que insisti em voltar, que insisti em começar tudo de novo, mas dessa vez vou deixar acabar... 
   Vou desistir ao invés de insistir, no mesmo.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Ninguém acredita!

   E finalmente acordar pra vida, achar um motivo, sair do esconderijo. Após tantas desilusões acho que preferi dar um tempo de viver, entrei dentro de casa tranquei as portas e fechei as janelas para que o mundo não opinasse nas minhas decisões aqui dentro. 
   Sabe quando você fica cansada de ver as pessoas fingindo, brincando de fazer teatro e não tem nem a capacidade de serem bons atores após tantos anos de prática? 
   De certa forma era muito mais fácil lidar com aqueles personagens do que com as pessoas em si, a ilusão as vezes satisfaz mais que a verdade, mas precisa de doses diárias, enquanto a verdade só uma doze e destrói toda a vontade de entrar em cena, de jogar o jogo.
   E o motivo de entrar em cena novamente? Magoa, vingança, desejo de voltar por cima e escrever as cenas finais da história.  

domingo, 5 de fevereiro de 2012

...

  Eu mudo a roupa, rotina, as cores das unhas, as companhias, marca do cigarro, o cabelo... 
   Mas os sentimentos, esses penetraram tão fundo que quando eu respiro vejo que de nada adianta toda essa mudança superficial. 
   Apenas.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Farewell

    
    Eu queria ser poeta pra tocar o coração das pessoas com palavras, eu queria poder mudar o rumo dos ventos para ele parar de me trazer folhas secas. Eu queria tanta coisa, mas infelizmente a minha habilidade com as palavras foi sumindo entre o sol e o horizonte.
   Todos acham que as estrelas devem brilhar, assim como acham que o sol deve iluminar, mas pra mim as coisas vão muito alem. Pra mim estrelas são pessoas, e o sol o momento. Você é uma estrela que agora esta andando de olhos vendados em direção a outro caminho, virando um cometa.
   Eu me perco nas palavras imperfeitas de uma despedida, eu me perco... Eu descrevo cenas interpretadas pela vida, no improviso, pois ela sempre faz questão de esquecer o roteiro. E em um capitulo ela resolveu tirar você de cena deixando o copo meio cheio e o cigarro ainda queimando, mas não apagou suas falas do papel.


domingo, 8 de janeiro de 2012

Res(pirando)

Parte III - Final   
                                                   
- O que você tem?
-Nada– suspirei. – talvez, falta do que fazer, enjôo, tédio, raiva, ansiedade...
-Charlote, você tem só 17 anos e se leva muito a sério, você se sufoca, não da uma chance a si mesma, não admite o seu problema. Querida, você é uma pequena menina de mente grande enlouquecendo a si mesma.
Talvez ela estivesse certa, eu estava me enlouquecendo...
 - Dra. Tyler eu sei o que eu tenho, acha que não? Mas sabe o quanto é estranho você não sentir quase nada? É como se você não tivesse vida, é como se você só tivesse no mundo pra observar os sentimentos do outros.
- Também temos que conversar sobre uma coisa que eu ando percebendo Charlote. Você anda com muitos machucados e aqui ninguém esta te agredindo. Seja sincera, você esta se machucando de propósito? Aonde você quer chegar?
-Em lugar nenhum, eu só me firo por fora tentando matar o que tem dentro.
- E o que tem dentro?
- Um monstro.
Alguém bate na porta interrompendo a troca de olhares preocupados. Dra. Tyler pede para entrar, é a enfermeira mais querida de toda a clinica, Ane, quem mais poderia ser?
Ela queria saber sobre os remédios que ia dar hoje aos pacientes, no qual me incluía. Como se eu tomasse alguns daqueles remédios, não quero cair na cama dopada e acordar dois dias depois, parece até certo exagero meu, mas, não custa prevenir.
Sai da sala e fui para o meu quarto, encontrei a porta aberta e lembro claramente que a deixei fechada. Fui me aproximando imaginando se era a minha colega de quarto que havia chegado, eu realmente não queria que fosse.
Ela estava de costas olhando para a janela, não queria interromper esse momento, fiquei quieta no meu canto sem que ela notasse minha presença. Tinha cabelos loiros compridos, alta, pele branca, usava uma saia azul e um casaco fino bege, estava de bota cano alto preto. Ela se virou, conforme a claridade foi deixando o seu rosto, fui olhando aqueles traços tão perfeitos, bochechas rosadas, boca desbotada, olhos castanhos e bem definidos.
Tudo bem, ultimamente a vida anda brincando com o meu humor.
- Qual seu nome novata?- disse ela com um certo sarcasmo desabrochado entre as palavras.
 - Charlote...
- Bem vinda ao inferno, só se faça um favor. Não se acomode aqui.
Sabrina, esse era o nome da minha companheira de quarto. Ela estava aqui porque mentia demais. Como se mentir fosse um problema, mentir é criar uma realidade suportável pra você mesma.
Deitei na cama e fechei os olhos, fiz viagens ao passado, olhando o trem andar mesmo estando parado vendo as pessoas embarcarem nele tão felizes sem saber o que as aguarda e o pior disso tudo é que eu me divirto vendo elas sofrerem, me divirto.
Sabe como é se sentir triste em uma casa onde todos são felizes? Talvez eu fosse louca mesmo, talvez... Nada. A vida é tão mesquinha que precisamos fugir da realidade, as vezes é bom  ver pessoas roxas ou falar com pessoas que não existem. Mas então esse teu momento de devaneio, o sua ultima esperança antes de se enforcar na sala de estar ou no porão é chamado de loucura...
Os dias aqui passam rápido, continuo sem tomar remédios, sem atender as ligações dos meus pais, ignorando as palavras da Dra. Tyler apenas concordando, mesmo descordando. Se o único modo de sair daqui é admitir algo que eu não tenho, vamos lá, pra mim é mais fácil que brincar de casinha.
Depois de longos quatro meses nessa clinica eu ganhei alta, já era maior de idade. Era hora de voltar pra casa, mas eu não tenho uma.
Convenci meus pais a me darem um dinheiro pra sair daqui. Aluguei uma casa em paris. Ela ficava em frente a um parque e a rua era muito florida, a calçada ainda estava molhada da ultima chuva e não importa quanto sol faça ela ainda vai continuar assim.
Não adianta mudar o cenário se a situação é a mesma. Agora eu penso que talvez eu não seja louca. Apenas uma menina que não deixaram respirar.