domingo, 19 de maio de 2013

No Asfalto

   
   Em minha tentativa fracassada de endurecer um coração virgem de sofrimento e tão ingenuo, acabei o corrompendo, tornando ele fácil, falso. Ele da esperanças para o que não tem mais jeito, e me ilude, um pobre doente terminal que já não tem escolha, é pular ou voar. Na tentativa de voar eu pulo, mas meus braços não são feitos para isso. Então, meu corpo é surrado pelo asfalto e olhares apavorados de pessoas ignorantes que apenas me julgam como um suicida. Entretanto, enquanto caia pude ver que o meu coração virgem não havia endurecido, apenas enrugado, um rabugento que só sabe reclamar e não sabe aproveitar a sopa sem gosto e o sabor dos remédios do hospital. Uma pena ele não se contentar com tão pouco.

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