quarta-feira, 10 de julho de 2013

Ingenuo

Dedico este texto para mim, como forma de sustento ao meu egoísmo.

Parte 1- Pré Guerra
   Não se preocupe, vai ser simples, direto, pois metade das minhas ideias já se esvaiu. Apenas não tente ler as entre linhas porque não há, ou há? São só palavras, sussurros direcionados a uma parede bege sem ouvidos. Broxante, eu sei, a normalidade é o mais terrível dos males, é o que a vida mais teme, é o que a literatura repudia e é o veneno do artista. Cabe à filosofia discutir a normalidade, ou deixa-la diluir no cotidiano?

Parte 2 - A batalha 
   Viver e pensar são uma afronta à sociedade. Mas que seja, pois minha vontade é ir à guerra, pegar a minha espada e estripar os princípios mesquinhos, hipócritas que todos respeitam da boca pra fora. Queria enfiar a lamina na barriga da burocracia e desliza-la até o pescoço! Como me enoja ver o mundo cuspindo sangue na cara de todos, e continuamos procriando essa raça de parasitas.

Parte 3 - A rendição
   Meus dedos estão pregados na parede com os pregos enferrujados dos meus delírios, e o que sobrou foi o resquício de um homem, o resquício dos meus ideais. De que adianta a valentia de um ser rodeado de ignorância? De que adianta a minha arte se só eu a aprecio? Ensinar? Acredito ser tarde demais. Mas o sangue que escorre na parede ainda desenha o belo retrato de uma linda ilusão, e de uma batalha injusta que não me arrependo de ter lutado. 

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