terça-feira, 22 de abril de 2014

Nem por 1 centavo...

    Eu disse pra você que era doente, até contei pro meu terapeuta que ficou se fingindo interessado na nossa merda de vida. Sei que nós não temos um café na esquina de casa, que os nossos dias passam de acordo com o ponteiro do relógio e que o nosso dinheiro é contado por vinhos. 
    O meu terapeuta disse que não passamos de um casal normal, como se não tivesse problema algum nisso, e disse mais, que você era um vagabundo que deveria largar dos pincéis e começar a procurar um emprego que desse dinheiro. De certa forma, acho que exagerei na interpretação, acho que ele quis dizer que, estamos fadados a ter a vida financeira de artistas armadores e gastos de um bancário
   Nossas vidas espumavam, e nossos corações eram sempre a uma batida de um infarto. Agora as moedas tomaram nosso cotidiano, e o barulho delas em meu bolso irrita. Não sinto orgulho do meu novo endereço, nem da pia cheia de louça suja. 
   Viver em uma casa perdida, e ainda ter o meu nome ao lado do seu, nem que seja na lapide ou até gravado em uma arvore como demonstração de um amor clichê. Mas o mundo não é mais o meu nem o mesmo sobre o meu olhar doente, eu transformei a sua vida na minha escória.
   Deixe as moedas tocarem a sinfonia da minha pobreza, enquanto você pinta com o cheiro do café de merda que sai da cozinha. Já que eu não soube te fazer feliz, o que me resta é ir embora, subir essa rua esburacada e comprar os meus remédios. Melhor dizendo, ainda estou doente.

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